quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A casa de ISABEL


Quando Maria visita sua prima Isabel, “ela fica cheia do Espírito Santo” (1,41).

O anjo diz a Maria que algo prodigioso havia acontecido com Isabel sua prima. Ela estéril, concebe uma criança na velhice. Depois que o anjo a deixa, “ela sobe apressadamente” para encontrar sua prima. Quando Maria entra em sua casa, Isabel fica cheia do Espírito Santo, sua visita trouxe o grande dom do Pai aquela casa.
Maria foi uma inesperada visita que encheu a casa de Zacarias e Isabel da graça de Deus, “apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”. O bendito fruto do seio de Maria transforma a casa de Isabel em um pequeno cenáculo (Lc 1,41).
          São Luís de Montfort diz no Tratado da verdadeira devoção que Maria é a verdadeira esposa do Espírito Santo, “Eis por que, quanto mais, em uma alma, ele encontra Maria, sua querida e inseparável esposa (do Espírito Santo), mais operante e poderoso se torna para produzir Jesus Cristo nessa alma, e essa alma em Jesus Cristo”. Pra minha casa se transformar em um pequeno cenáculo devo acolher Maria, receber sua visita bendita. Ela é a onipotência suplicante que roga continuamente ao Filho, para que o Espírito Santo nos transforme.
Uma forma simples de isso acontecer é através da Oração do Santo Rosário. Sobre essa oração, São João Paulo II afirmou: Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”. 
O Rosário é uma coroa de rosas, por isso mesmo Maria também é invocada com o título de Rosa Mística. Essa antiga oração se desenvolveu principalmente no meio do povo que encontrou nessa “divina inspiração” uma forma de se aproximar de Deus. Essa oração é em primeiro lugar, um exercício de contemplação. O Catecismo da Igreja Católica diz que contemplar “é um olhar de fé fito em Jesus”, por isso, cada mistério do Rosário é acompanhado da meditação de um episódio que marca a nossa história da salvação, da anunciação até a glorificação da qual Maria já participa. São João Paulo II afirmava que essa oração, apesar de sua “fisionomia mariana, no seu âmago é uma oração cristológica, pois concentra a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio”. Ao ritmo da Palavra meditada, a recitação nos ajuda a por os olhos naquele que é “autor e consumador da nossa fé” (Hb 12,2).
          Vamos recordar a história de outro casal: Tobias e Sara. É uma novela com final feliz. Logo no começo, um problema: o pai de Tobias fica cego, e o filho sai de casa com o objetivo de ajudá-lo. Ele faz um viajem, acompanhado de Rafael, que na verdade é um anjo. Ao chegar à casa de um parente, Tobias se enamora por Sara, que havia tentado várias vezes se casar, mas sempre na noite de núpcias, os seus maridos caiam mortos. Quando Tobias sabe disso, fica com medo, porque um terrível Demônio chamado Asmodeu, atormentava aquela jovem, causando um grande mal aquela família. O anjo Rafael diz a Tobias que tem a solução. Então, os dois entram no quarto e oram a Deus por sua salvação. Ninguém morreu, e a alegria voltou aquela casa. No final, o seu velho pai recebe a cura e celebra o casamento dos filhos. Como essa novela chega ao final feliz? Através da oração.
Na novela mencionada, a oração liberta toda aquela família do poder do mal. A palavra Asmodeu significa “aquele que faz perecer”. Ele reaparece no Testamento de Salomão como inimigo da união conjugal. O Demônio que ataca a Sara é inimigo da família. Se você destrói uma família, você põe em risco toda a sociedade, porque como se afirma “a família é a célula fundamental da sociedade”. Como podemos nos livrar do poder desse “inimigo”? A oração é a receita.
Tem-se descoberto a cada dia o quanto a oração do Rosário é arma eficaz na luta contra o mal, principalmente o mal que quer abater nossas famílias. Muitos são os testemunhos dos santos sobre a eficácia da oração do Rosário na luta contra a opressão do Demônio. Se o Demônio tem o poder de destruir uma família, Deus tem infinitamente mais poder de reconstruir.
Costuma-se dizer: família que reza unida permanece unida. São muitos os desafios que enfrentamos que podem “desunir”, separar o que foi ligado pelos laços do amor. Podemos dá um exemplo: problemas financeiros. São muitos os casos, onde a falta de dinheiro, causa um estrago na relação entre o casal. Não seria melhor enfrentar esse problema juntos? Não ficamos mais fortes quando estamos unidos? É justamente por isso que o Demônio quer atacar a união que existe no lar. Porque quando estamos desunidos nos enfraquecemos, e é isso que Jesus afirma quando diz que uma “casa dividida contra si mesma não subsiste”. A ruína de uma casa está na desunião. A reconstrução de uma casa está na união. É a oração que une a família.
             Quando lutamos devemos conhecer nossos inimigos. Se fizermos isso, nossas chances de vencer são bem maiores. Essa luta é enfrentada todos os dias e a nossa casa é um grande campo de batalha. Todos os dias somos atacados por ideologias que são espalhadas através de livros, revistas, filmes, novelas, desenhos, propagandas, que deixam um rastro de perversidade, infidelidade, rebeldia, desunião, indisciplina.
Em nossa carne pulsa um desejo que se opõe ao Espírito (Cf. Gl 5,17ss). Quando alimentamos a carne, enfraquecemos o Espírito. Esse desejo pode nos arrastar para o lado do inimigo e sem perceber estaremos lutando ao lado do nosso adversário. Paulo nos exorta sobre os males que podem destruir uma família, e quero alerta-los sobre um desses males: a bebedeira.
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas tem comprometido a saúde física e mental além de por em risco o orçamento doméstico. Abusos e violências podem marcar a vida de quem não modera esse prazer. O álcool é a substância psicoativa mais popular do planeta. Como é uma droga podemos perceber facilmente uma multidão de dependentes por todos os cantos do planeta obrigando a OMS (Organização Mundial da Saúde) a considerar o alcoolismo uma doença. Vemos homens e mulheres transformar esse prazer em pranto.
Alguns fatores podem tornar as pessoas mais vulneráveis à bebida como a ansiedade, angustia e insegurança. Brigas, desentendimentos, rivalidades, inimizades, disputas são acentuadas por causa do consumo excessivo de bebidas alcoólicas provocando comportamentos imprevisíveis, desajustes e sofrimentos a todos os envolvidos.
As propagandas lucram milhões em todo o mundo enquanto famílias são destruídas por causa do consumo excessivo de bebidas. Não podemos perder essa luta! Por isso devemos agir em três âmbitos: prevenção, intervenção e restauração. É melhor PREVENIR do que remediar, por isso devemos alerta a todos dos riscos que nos cercam. INTERVIR através da oração, da amizade e do testemunho junto aqueles que estão dando sinais de desestruturação. RESTAURAR é o passo mais difícil, pois o que se espera aqui é restabelecer a dignidade que foi perdida.
Todo o que nasceu de Deus venceu o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé (1 Jo 5,4). Oremos, pedindo a intercessão de Nossa Senhora, principalmente na luta contra os males que querem destruir nossa casa. Que nos unamos a Senhora das Dores, que não se cansa de levantar os caídos, machucados, feridos.  São João Paulo II diz que “podemos incluir, nas dezenas do Rosário, todos os fatos da nossa vida, da família, da nação, da Igreja e da humanidade. Acontecimentos pessoais e do próximo, daqueles que nos são mais familiares e que mais estimamos. A oração do Rosário marca o ritmo da vida humana”. Como estamos vendo, as lutas diárias são árduas, por isso recorremos continuamente a Mãe de Deus pois sabemos que ela combate por nós, que não nos abandona e que propõe o caminho seguro para a nossa vitória: o sacrifício de Cristo Jesus, seu Filho morto e ressuscitado.

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