Quando Maria visita sua prima Isabel, “ela
fica cheia do Espírito Santo” (1,41).
O
anjo diz a Maria que algo prodigioso havia acontecido com Isabel sua prima. Ela
estéril, concebe uma criança na velhice. Depois que o anjo a deixa, “ela sobe
apressadamente” para encontrar sua prima. Quando Maria entra em sua casa,
Isabel fica cheia do Espírito Santo, sua visita trouxe o grande dom do Pai
aquela casa.
Maria
foi uma inesperada visita que encheu a casa de Zacarias e Isabel da graça de
Deus, “apenas Isabel ouviu a saudação de
Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito
Santo”. O bendito fruto do seio de Maria transforma a casa de Isabel
em um pequeno cenáculo (Lc 1,41).
São Luís de Montfort diz no Tratado da verdadeira devoção que Maria
é a verdadeira esposa do Espírito Santo, “Eis
por que, quanto mais, em uma alma, ele encontra Maria, sua querida e
inseparável esposa (do Espírito Santo), mais operante e poderoso se torna para
produzir Jesus Cristo nessa alma, e essa alma em Jesus Cristo”. Pra minha
casa se transformar em um pequeno cenáculo devo acolher Maria, receber sua
visita bendita. Ela é a onipotência suplicante que roga continuamente ao Filho,
para que o Espírito Santo nos transforme.
Uma
forma simples de isso acontecer é através da Oração do Santo Rosário. Sobre essa
oração, São João Paulo II afirmou: “Nele ecoa a
oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora
iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta
a escola de Maria, para
deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na
experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a
graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do
Redentor”.
O Rosário é uma coroa de
rosas, por isso mesmo Maria também é invocada com o título de Rosa Mística.
Essa antiga oração se desenvolveu principalmente no meio do povo que encontrou
nessa “divina inspiração” uma forma de se aproximar de Deus. Essa oração é em
primeiro lugar, um exercício de contemplação. O Catecismo da Igreja Católica
diz que contemplar “é um olhar de fé fito
em Jesus”, por isso, cada mistério do Rosário é acompanhado da meditação de
um episódio que marca a nossa história da salvação, da anunciação até a
glorificação da qual Maria já participa. São João Paulo II afirmava que essa
oração, apesar de sua “fisionomia mariana, no seu âmago é uma
oração cristológica, pois concentra a mensagem evangélica, da qual é quase um
compêndio”. Ao ritmo da Palavra meditada, a recitação nos ajuda a por os
olhos naquele que é “autor e consumador
da nossa fé” (Hb 12,2).
Vamos recordar a história de outro
casal: Tobias e Sara. É uma novela com final feliz. Logo no começo, um
problema: o pai de Tobias fica cego, e o filho sai de casa com o objetivo de
ajudá-lo. Ele faz um viajem, acompanhado de Rafael, que na verdade é um anjo.
Ao chegar à casa de um parente, Tobias se enamora por Sara, que havia tentado
várias vezes se casar, mas sempre na noite de núpcias, os seus maridos caiam
mortos. Quando Tobias sabe disso, fica com medo, porque um terrível Demônio
chamado Asmodeu, atormentava aquela jovem, causando um grande mal aquela
família. O anjo Rafael diz a Tobias que tem a solução. Então, os dois entram no
quarto e oram a Deus por sua salvação. Ninguém morreu, e a alegria voltou
aquela casa. No final, o seu velho pai recebe a cura e celebra o casamento dos
filhos. Como essa novela chega ao final feliz? Através da oração.
Na
novela mencionada, a oração liberta toda aquela família do poder do mal. A
palavra Asmodeu significa “aquele que faz perecer”. Ele reaparece no Testamento
de Salomão como inimigo da união conjugal. O Demônio que ataca a Sara é inimigo
da família. Se você destrói uma família, você põe em risco toda a sociedade,
porque como se afirma “a família é a célula fundamental da sociedade”. Como
podemos nos livrar do poder desse “inimigo”? A oração é a receita.
Tem-se
descoberto a cada dia o quanto a oração do Rosário é arma eficaz na luta contra
o mal, principalmente o mal que quer abater nossas famílias. Muitos são os
testemunhos dos santos sobre a eficácia da oração do Rosário na luta contra a
opressão do Demônio. Se o Demônio tem o poder de destruir uma família, Deus tem
infinitamente mais poder de reconstruir.
Costuma-se
dizer: família que reza unida permanece unida. São muitos os desafios que
enfrentamos que podem “desunir”, separar o que foi ligado pelos laços do amor.
Podemos dá um exemplo: problemas financeiros. São muitos os casos, onde a falta
de dinheiro, causa um estrago na relação entre o casal. Não seria melhor
enfrentar esse problema juntos? Não ficamos mais fortes quando estamos unidos?
É justamente por isso que o Demônio quer atacar a união que existe no lar.
Porque quando estamos desunidos nos enfraquecemos, e é isso que Jesus afirma
quando diz que uma “casa dividida contra si mesma não subsiste”. A ruína de uma
casa está na desunião. A reconstrução de uma casa está na união. É a oração que
une a família.
Quando lutamos devemos conhecer nossos
inimigos. Se fizermos isso, nossas chances de vencer são bem maiores. Essa luta
é enfrentada todos os dias e a nossa casa é um grande campo de batalha. Todos
os dias somos atacados por ideologias que são espalhadas através de livros, revistas,
filmes, novelas, desenhos, propagandas, que deixam um rastro de perversidade,
infidelidade, rebeldia, desunião, indisciplina.
Em nossa carne pulsa
um desejo que se opõe ao Espírito (Cf. Gl 5,17ss). Quando alimentamos a carne,
enfraquecemos o Espírito. Esse desejo pode nos arrastar para o lado do inimigo
e sem perceber estaremos lutando ao lado do nosso adversário. Paulo nos exorta
sobre os males que podem destruir uma família, e quero alerta-los sobre um
desses males: a bebedeira.
O consumo excessivo de
bebidas alcoólicas tem comprometido a saúde física e mental além de por em
risco o orçamento doméstico. Abusos e violências podem marcar a vida de quem
não modera esse prazer. O álcool é a substância psicoativa mais popular do planeta.
Como é uma droga podemos perceber facilmente uma multidão de dependentes por
todos os cantos do planeta obrigando a OMS (Organização Mundial da Saúde) a
considerar o alcoolismo uma doença. Vemos homens e mulheres transformar esse
prazer em pranto.
Alguns fatores podem
tornar as pessoas mais vulneráveis à bebida como a ansiedade, angustia e
insegurança. Brigas, desentendimentos, rivalidades, inimizades, disputas são
acentuadas por causa do consumo excessivo de bebidas alcoólicas provocando
comportamentos imprevisíveis, desajustes e sofrimentos a todos os envolvidos.
As propagandas lucram
milhões em todo o mundo enquanto famílias são destruídas por causa do consumo
excessivo de bebidas. Não podemos perder essa luta! Por isso devemos agir em
três âmbitos: prevenção, intervenção e restauração. É melhor PREVENIR do que
remediar, por isso devemos alerta a todos dos riscos que nos cercam. INTERVIR
através da oração, da amizade e do testemunho junto aqueles que estão dando
sinais de desestruturação. RESTAURAR é o passo mais difícil, pois o que se
espera aqui é restabelecer a dignidade que foi perdida.
Todo o que nasceu de Deus
venceu o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé (1 Jo
5,4). Oremos, pedindo a intercessão de Nossa Senhora, principalmente na luta
contra os males que querem destruir nossa casa. Que nos unamos a Senhora das
Dores, que não se cansa de levantar os caídos, machucados, feridos. São João Paulo II diz que “podemos incluir, nas dezenas do Rosário,
todos os fatos da nossa vida, da família, da nação, da Igreja e da humanidade.
Acontecimentos pessoais e do próximo, daqueles que nos são mais familiares e
que mais estimamos. A oração do Rosário marca o ritmo da vida humana”. Como
estamos vendo, as lutas diárias são árduas, por isso recorremos continuamente a
Mãe de Deus pois sabemos que ela combate por nós, que não nos abandona e que
propõe o caminho seguro para a nossa vitória: o sacrifício de Cristo Jesus, seu
Filho morto e ressuscitado.
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